SEMPRE A CRESCER,CRL

Comunidade terapêutica...

“A Comunidade Terapêutica não é a resposta milagrosa para os problemas postos pelas drogas, legais ou ilegais. Nem sequer constitui o método inicial adequado à maioria dos casos. Mas torna-se uma hipótese obrigatória quando outras valências foram tentadas e falharam. Porque propicia uma separação do meio ambiente que permite ao indivíduo debruçar-se sobre as razões que o levam a não conseguir deixar as drogas e as falsas soluções que elas acarretam.

Essa auto-análise realiza-se em duas vertentes: as consultas individuais com os respectivos terapeutas e a dinâmica de grupo que se estabelece entre os residentes e é supervisionada por monitores, eles próprios antigos toxicodependentes que passaram pela Comunidade de Adaúfe. Desde o início do programa, o retorno ao mundo exterior é o objectivo a atingir, nenhuma recuperação é digna desse nome se não permite opções livres, fora das paredes protectoras de determinada instituição terapêutica.

Para que tal aconteça, é necessário que o processo de reinserção inclua também um trabalho cuidadoso com familiares e outras figuras de referência na vida do toxicodependente. Falo de um trajecto de seis a nove meses, em que o regime se vai tornando mais permissivo em termos de contactos com o exterior: primeiro simples saídas, que possibilitam avaliar a reacção dos residentes e a sua capacidade para funcionar de modo mais adequado; depois, a retoma dos seus lugares no mundo laboral ou estudantil, que precede a alta residencial; por fim, o acompanhamento em ambulatório de liberdades ainda frágeis.

Pode a Comunidade Terapêutica garantir um sucesso estável, ao abrigo da tão receada recaída? De modo nenhum!, quem faz promessas nesta área é desonesto ou ignorante. Muito menos as faria eu, com trinta anos de experiência e muitas desilusões pelo caminho. Com uma excepção: a do total empenhamento dos que comigo trabalham.”

 

Prof. Doutor Júlio Machado Vaz

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